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  • Pedro Gouvêa

A relação da fobia social com outros transtornos mentais

A literatura da fobia social aponta que esse transtorno raramente se apresenta sozinho em uma pessoa. Ou seja, fóbicos sociais geralmente apresentam outros transtornos psicológicos juntamente com a fobia social.

Na psicopatologia, há um termo que descreve essa presença simultânea de dois ou mais transtornos: comorbidade. Segundo alguns estudos, os índices de comorbidade na fobia social são extremamente altos, podendo chegar a 80% dos casos. E quais são os transtornos mais comuns associados à fobia social?

Na linha de frente, temos a depressão e o transtorno por abuso de substância, especialmente o álcool. Porém, é comum que fóbicos sociais também apresentem outros transtornos de ansiedade, sobretudo o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtornos de personalidade, sobretudo o transtorno de personalidade evitativa (TPE).

Não é difícil compreender porque a depressão e o abuso de álcool são problemas tão comuns em fóbicos sociais. Ora, se a pessoa não tem acesso a diversas fontes de gratificação social em função dos comportamentos de evitação, é esperado que apresente um humor depressivo, frustrações, falta de sentido na vida, crenças negativas sobre si mesmo e todo um conjunto de sintomas depressivos. A depressão acaba por ser uma consequência da fobia social.

No caso do abuso de álcool, é extremamente comum que fóbicos sociais utilizem esse recurso para lidar com algumas situações sociais. Ou seja, utilizam o álcool como uma forma de se acalmar e se desinibirem em uma situação social, como uma festa, por exemplo. Com o uso constante, o indivíduo facilmente cai em um quadro de dependência. Assim como na depressão, o abuso de álcool acaba por ser uma consequência da fobia social.

Reparem que a fobia social acaba se configurando como um fator de risco para outras condições patológicas importantes e deve ser tratada como uma forma de prevenir outros problemas.

É fundamental que terapeutas façam uma distinção no sentido de identificar qual é o problema primário do cliente. Por exemplo, o cliente já apresentava padrões depressivos ou de abuso de álcool antes do aparecimento dos sintomas de ansiedade social? Ou o cliente já demonstrava padrões de ansiedade social antes do aparecimento de sintomas depressivos ou de abuso de álcool?

Essa avaliação do problema primário é importante para que o terapeuta estabeleça o foco correto do tratamento e utilize as estratégias adequadas para o caso. Ou seja, se o problema primário do cliente é a fobia social, provavelmente este deve ser o foco do tratamento e as intervenções direcionadas à depressão ou ao abuso de álcool irão surtir pouco efeito.

Por fim, um alerta aos terapeutas: investiguem a possibilidade de haver um diagnóstico primário de fobia social em clientes depressivos ou que tenham problemas de abuso de álcool. Como já apontado no início do texto, estas condições costumam ser consequências da fobia social e o diagnóstico diferencial é muito importante. Isso pode determinar o sucesso ou o fracasso do tratamento!!


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