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  • Pedro Gouvêa

Ficar em evidência/Fazer papel ridículo


Neste texto, vamos abordar uma dimensão da ansiedade social que, do meu ponto de vista pessoal, se configura como a mais problemática do transtorno: "ficar em evidência/fazer papel ridículo".

Esse ponto de vista pessoal é sustentado pela literatura da área mas, principalmente, pela minha experiência clínica particular na qual a situação de ser o centro das atenções é assustadora para a maioria das pessoas que sofrem de transtorno de ansiedade social (TAS).

É interessante observar que, embora as pessoas com TAS temam ser o centro das atenções por medo de que algo ruim aconteça (p. ex., fazer papel de bobo na frente dos outros), elas também costumam ficar tensas ao chamar atenção em situações positivas (p. ex., ser elogiado em público).

Nesta dimensão, podemos considerar que a emoção mais predominante é a vergonha ou embaraço, mais do que a própria ansiedade. A ansiedade, por ser uma sensação antecipatória, ocorreria de forma mais intensa antes de uma situação social, enquanto que a vergonha/embaraço se manifestaria quando a pessoa já está na situação.

Um sintoma fisiológico típico desta dimensão é o rubor facial, um claro sinal associado à vergonha. O indivíduo, ao ter os olhares direcionados para si, pode reagir com vergonha e sinalizar isso publicamente através do rubor em seu rosto.

É fato que existem pessoas com TAS que tem verdadeira fobia de corar em público, pois acreditam que isso representa um sinal de fraqueza, inferioridade, inadequação, etc. Além disso, essas pessoas tendem a evitar a todo custo situações de ser o centro das atenções.

Nesta dimensão, parece que a autoestima é abalada e as autodeclarações negativas desempenham um papel importante. O centro do temor aqui se relaciona com a ideia de ter que agradar todo mundo e, portanto, há receio de parecer desajeitado, incompetente, causar uma imagem negativa, que falem mal ou zombem.

Alguns exemplos de situações incluídas nesta dimensão são: "dar uma opinião e não ser compreendido", "que ninguém pareça estar prestando atenção ao que você está dizendo", "gaguejar, tremer ou suar em público" e "ser alvo de uma brincadeira em público".

Por fim, vale mencionar que a fobia de ser o centro das atenções pode prejudicar bastante a vida de uma pessoa, uma vez que, em diversos contextos, exige-se que a pessoa desempenhe algo em público (p. ex., falar em público, trabalhar sendo observado, contar uma história em um grupo de amigos, etc.).

Neste caso, a pessoa pode perder diversas oportunidades pessoais e profissionais em razão desse medo, limitando bastante a sua qualidade de vida. Porém, por mais medo que uma pessoa possa ter de ser o centro das atenções, é possível desenvolver estratégias para lidar de forma apropriada com esse tipo de situação.

No próximo texto, iremos abordar a dimensão "falar em público/Interação com pessoas em posição de autoridade".



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Referência:


Caballo, V. E., Salazar, I. C., Garrido L., Irurtia, M. J., & Hofmann, S. G. (2021). Programa de intervenção multidimensional para a ansiedade social (IMAS) - Livro do terapeuta. Novo Hamburgo: Sinopsys.

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