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  • Foto do escritorPedro Gouvêa

Medicações ajudam para tratar ansiedade social?


Vez ou outra me questionam sobre se medicações ajudam no tratamento do transtorno de ansiedade social (TAS). Embora não seja minha área de atuação específica, certamente é possível fazer algumas considerações relevantes sobre o tema.

O primeiro fator a se considerar a esse respeito é o nível de gravidade do TAS. Ou seja, quanto mais grave for o quadro, maior sofrimento e prejuízo funcional o indivíduo irá experienciar.

Nesse contexto, faz total sentido entrar com uma medicação visando um alívio inicial dos sintomas e para que a própria psicoterapia possa cumprir suas funções.

Por exemplo, um cliente que experimenta crises graves de ansiedade antes de enfrentar uma situação social e tem sintomas depressivos associados, irá necessitar de uma abordagem medicamentosa para regular minimamente suas emoções e se beneficiar de uma terapia de exposição. Caso contrário, ele provavelmente não chegaria nem sequer à sala do terapeuta.

Um segundo fator a se considerar é a abertura e disponibilidade do cliente em fazer uso de medicações. Existem indivíduos que possuem uma visão muito negativa sobre as medicações e mesmo que estejam em sofrimento acentuado se recusam a usá-las.

Nesses casos, é fundamental fazer uma psicoeducação sobre as medicações e desfazer alguns mitos (p. ex., "se eu tomar remédio, vou ficar dependente a vida toda").

Um terceiro e último fator a se considerar (e talvez o mais importante), é a avaliação do clínico sobre um cliente específico. Se o terapeuta julgar que o cliente se beneficiaria do uso de medicações, não há qualquer razão para não encaminhá-lo a um psiquiatra.

Há alguns psicólogos que são resistentes às medicações, o que pode ser um grande entrave ao processo terapêutico do cliente. Por outro lado, há psiquiatras que são resistentes à psicoterapia, gerando os mesmos problemas.

Agora, se nós abraçamos a visão do sujeito como um ser biopsicossocial, não faz sentido descartar o "bio", ou seja, descartar o papel das medicações. Lembrando que a psicoterapia é um tratamento psicossocial. O psiquiatra atual na esfera biológica dos transtornos mentais.

Sendo assim, o cliente teria muito mais ganhos com um tratamento que abrangesse os 3 níveis de determinação do comportamento (bio-psico-social).

Por fim, é importante que o psicólogo tenha conhecimento dos tratamentos medicamentosos de primeira linha para os transtornos de ansiedade. Ou seja, que ele saiba que os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRSs) são os tratamentos de escolha, que podem vir associados ao uso eventual de ansiolíticos.

No caso do TAS, a literatura tem mostrado que os ISRSs paroxetina, sertralina e escitalopram tem produzido as melhores respostas terapêuticas. No caso dos ansiolíticos, o clonazepam produziu boas taxas de resposta. Em todo caso, a consulta com o psiquiatra é indispensável e a eficácia das medicações pode variar bastante entre os indivíduos.



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