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  • Pedro Gouvêa

Práticas de prevenção na FOBIA SOCIAL


Cada vez mais os profissionais de saúde mental tem se voltado para práticas de cuidado que visam a prevenção do desenvolvimento de um transtorno comportamental. Essa tendência tem a ver com a ideia geral de que é menos custoso - para a sociedade e para o próprio indivíduo - que ele aprenda a lidar com as demandas da vida de forma saudável e não produza sofrimento desnecessário para si e para os que o cercam.

Porém, ainda predomina a lógica "remediativa", ou seja, damos atenção à alguém apenas quando essa pessoa já manifesta comportamentos ditos "patológicos", como fobia social ou depressão. Não costumamos observar a prática nociva de alguns cuidadores e do ambiente social mais amplo da pessoa que, provavelmente, irão desencadear em uma psicopatologia.

No caso da fobia social, temos algumas boas referências de padrões ambientais nos quais o indivíduo cresce que tendem a favorecer o aparecimento do quadro. É importante identificar esses padrões e encontrar formas alternativas de comportamento para fins de prevenção.

Vamos começar falando do ambiente familiar. Muitos fóbicos sociais relatam que cresceram em ambientes onde os pais costumam apresentar três estilos de criação: 1. Superproteção; 2. Críticas exageradas e inadequadas e; 3. Forte exigência de desempenho.

Primeiro, se os pais superprotegem seus filhos, acabam gerando, pelo menos, duas consequências para eles em termos de comportamento: 1. A ideia de que eles "não são capazes de lidar com as coisas sozinhos"; e 2. A ideia de que "o mundo e os outros são perigosos o suficiente para que haja uma proteção excessiva".

Ora, sabemos que regras de "incapacidade", "inferioridade" e de que "os outros são uma ameaça" geralmente estão presentes em indivíduos socialmente ansiosos. Portanto, é recomendável evitar a superproteção, logicamente, impondo os limites necessários em termos de liberdade de ação.

Segundo, pais que criticam seus filhos por tudo e não dão as razões pelas quais estão criticando, acabam gerando comportamentos de insegurança em relação a si mesmos. Eles acabam crescendo com a ideia de que "não fazem nada certo", "são inadequados", "não merecem ser amados", etc. Tais regras também costumam estar na raiz dos quadros de fobia social. Portanto, críticas devem ser feitas de maneira dosada, coerente e sem exageros, de preferência alternando com elogios sinceros. Esta é a base de uma boa autoestima.

Terceiro, pais muito exigentes, que cobram um desempenho social, acadêmico e familiar perfeito, acabam gerando padrões de ansiedade constante nos filhos. Estes acabam crescendo com o peso de que devem corresponder às expectativas dos pais e dos outros integralmente, sem falhas. Em outras palavras, crescem acreditando que "não podem errar", o que é desastroso para a saúde emocional. Portanto, o nível de cobrança e exigência dos pais também deve ser dosado, de modo que também haja espaço para o erro e para a imperfeição como ocorrências naturais.

De uma forma bem geral, podemos identificar também alguns padrões ambientais nocivos nos ambientes fora da família, como na escola. Situações de dificuldade de entrosamento com os pares ("se enturmar"), processos de exclusão pelos colegas, bullying e professores muito críticos e exigentes (às vezes "debochados" com os alunos mais tímidos) podem contribuir de forma decisiva para a instalação de uma fobia social.

Bom, é fundamental que os pais, cuidadores, terapeutas, professores, e qualquer outro profissional que lide com o indivíduo dentro e fora da escola identifique estas condições e atue para evitá-las ou amenizá-las, buscando soluções conjuntas para que este indivíduo não fique exposto à contingências tão aversivas. Certamente, se isso for feito, as chances de desenvolver uma fobia social serão muito menores.

Por fim, ressalto que as práticas de prevenção citadas (e muitas outras, é claro), devem fazer parte do cotidiano familiar e escolar para que possamos promover o bem-estar emocional desde cedo, e, assim, evitar esforços desnecessariamente pesados para tratar um problema tão complexo quanto a fobia social mais tarde! A sociedade como um todo agradece!


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