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  • Pedro Gouvêa

Uma proposta multidimensional de classificação da ansiedade social

Nos últimos anos, alguns autores têm investigado o transtorno de ansiedade social (TAS) de uma forma mais abrangente, que permita capturar, de certa forma, a heterogeneidade e complexidade do quadro.

Isso decorre da percepção de que os manuais diagnósticos atuais (DSM-5 e CID-11) deixam a desejar em termos da inclusão de dimensões importantes do TAS que são sustentadas pela pesquisa empírica e pela experiência clínica com essa população.

Embora diferentes grupos de autores tenha especificado dimensões relativamente diversas do TAS, irei me ocupar aqui de expor as dimensões que foram propostas mais recentemente.

De uma forma muito genérica, os autores costumam classificar as situações sociais temidas em duas categorias amplas: 1) Situações interativas - em que a pessoa mantém algum tipo de interação com os outros; e 2) Situações não interativas - em que a pessoa desempenha alguma tarefa ou atividade na frente dos outros.

Como exemplos de situações sociais interativas, temos iniciar e/ou manter uma conversa, ir a reuniões ou congressos, interagir com alguém que o atrai, etc. As situações não interativas incluem falar em público ao dar uma palestra, escrever/trabalhar enquanto se é observado, passar em frente a um grupo de pessoas que fiquem lhe olhando, etc.

Mapeando a literatura da área e através de pesquisas próprias, um grupo de autores identificou 5 dimensões de medos sociais:

  1. Interação com pessoas desconhecidas

  2. Interação com pessoas do sexo oposto

  3. Expressão assertiva de incômodo, desagrado ou raiva

  4. Ficar em evidência/fazer papel ridículo

  5. Falar em público/Interação com pessoas em posição de autoridade

No caso de crianças, os autores incluíram a dimensão "atuar em público" (p. ex., participar de uma peça de teatro na escola, cantar em público e dançar na frente das pessoas).

Não é objetivo deste artigo esmiuçar cada uma destas dimensões do TAS. No entanto, é interessante que os clínicos tenham em mente cada uma delas na hora de avaliar e diagnosticar um TAS e, a partir disso, construir um plano de intervenção coerente com a dimensão mais prejudicada para um cliente particular.

Me parece que essa proposta multidimensional de classificação do TAS pode ampliar muito a visão clínica sobre esse diagnóstico e fornecer bases mais consistentes para uma intervenção efetiva, visto que o DSM e a CID não cobrem alguns desses aspectos centrais do TAS.

Em artigos futuros, pretendo trazer uma discussão sobre cada uma das 5 dimensões separadamente. A ideia básica é auxiliar terapeutas que trabalham, de alguma forma, com a ansiedade social na clínica ou em outros contextos profissionais!



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Referência


Caballo, V. E., Salazar, I. C., Garrido L., Irurtia, M. J., & Hofmann, S. G. (2021). Programa de intervenção multidimensional para a ansiedade social (IMAS) - Livro do terapeuta. Novo Hamburgo: Sinopsys.

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