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  • Foto do escritorPedro Gouvêa

Qual o papel da cultura na ansiedade social?


Como já dizia o velho Skinner, o comportamento é resultado de três níveis de seleção: 1) Filogenético; 2) Ontogenético; e 3) Cultural.

De forma bastante simplista, o primeiro nível - filogenético - é responsável pelos comportamentos herdados. É a nossa bagagem genética. O nível ontogenético é responsável pelos nossos comportamentos aprendidos em uma história de vida particular. O nível cultural é responsável pela aprendizagem de padrões amplos de comportamento transmitidos ao longo de gerações. Formam os hábitos, costumes e normas de uma sociedade.

É extremamente importante que o terapeuta, em seu trabalho clínico, tenha um olhar para o nível de seleção cultural de um determinado comportamento. Isso faz com que ele amplie sua avaliação sobre as queixas do cliente e tenha uma visão crítica sobre padrões impostos socialmente.

Quando lidamos com clientes socialmente ansiosos, precisamos estar cientes do ideal cultural da extroversão imposto no nosso país. Ou seja, a sociedade brasileira tende a supervalorizar pessoas extrovertidas, comunicativas, socialmente habilidosas e assim por diante.

Por outro lado, ela tende a subestimar (por vezes excluir) pessoas introvertidas, tímidas e socialmente ansiosas. Note que esse é um viés cultural e o terapeuta precisa conhecer essa dinâmica social, pois, caso contrário, pode acabar caindo no erro de culpabilizar inadequadamente o seu cliente como o único responsável por seus problemas.

Esse viés cultural também perpassa regiões específicas do país. Por exemplo, cariocas são tidos, em geral, como extrovertidos e calorosos, enquanto que paranaenses são tidos, em geral, como mais reservados e introspectivos.

Nas culturas orientais, o comportamento tímido, reservado e discreto tende a ser mais valorizado e visto de forma positiva do que na nossa cultura. Portanto, os critérios para definir alguém como socialmente ansioso podem diferir bastante dos critérios utilizados na nossa cultura.

Por fim, é fundamental que o próprio cliente tenha consciência desses vieses culturais e de como isso faz parte do seu sofrimento. Sofrimento que deriva da não correspondência a um padrão de comportamento socialmente valorizado. Talvez, com essa consciência mais crítica, o cliente esteja em melhores condições de se libertar dos grilhões de ter que cumprir expectativas sociais que ele não deseja.



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