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  • Pedro Gouvêa

Fobia social e vida afetiva - Reflexões e dicas práticas


A fobia social é um transtorno psicológico que compromete praticamente todas as áreas da vida do indivíduo, com impactos relevantes na qualidade de vida. Neste artigo, quero me concentrar especificamente na área afetiva, que inclui os relacionamentos amorosos, românticos, sexuais, namoros, casamentos, etc.

Pode-se supor (e isso tem um bom suporte na literatura da área) que indivíduos que sofrem de fobia social carecem de uma vida afetiva consistente. Ou seja, grande parte destes indivíduos são solteiros ou não possuem um relacionamento estável.

Essa carência na vida afetiva é resultado da dificuldade central do quadro, ou seja, iniciar e manter contato social. Essa dificuldade de contato social se acentua com alguns tipos particulares de pessoas, como figuras de autoridade, estranhos e pessoas do sexo oposto. Os dois principais fatores que levam a esta dificuldade são os seguintes:

  • Preocupação excessiva com avaliação negativa

  • Déficit em habilidades sociais de paquera

Além de tudo isso, o déficit na vida afetiva pode acabar resultando em sentimentos crônicos de vazio e solidão e, em casos mais extremos, em um transtorno depressivo. A depressão, por sua vez, diminui a probabilidade do indivíduo se engajar em situações sociais em que poderia conhecer novas pessoas, formando um ciclo vicioso disfuncional que mantêm os problemas.

Como consequência da falta de relacionamentos afetivos, o indivíduo também experimenta a ausência de experiências sexuais, o que diminui sensivelmente a vitalidade e o prazer pela vida.

No contexto moderno, muitas pessoas tem optado por ficar solteiras e não ter filhos. Se isso for resultado de uma escolha consciente e genuína, não há absolutamente nenhum problema nisso. O problema sempre surge da incongruência entre o estado atual e o estado desejado (quero uma coisa x não consigo essa coisa; quero ser assim x não consigo ser assim, etc.).

Novamente, como em outros textos, quero destacar o aspecto cultural. Nós temos a cultura de "ver como normal" o indivíduo namorar, casar, ter filhos e constituir uma família. É quase como se fosse "a lei natural da vida". Porém, isso tem pouco de natural e é mais uma imposição cultural. Nesse sentido, gostaria que você refletisse agora sobre o que realmente deseja e é importante para você nesta área.

Se chegou a conclusão de que realmente tem o desejo de ter um relacionamento afetivo, casar, etc., então você pode lançar mão destas estratégias. Mas não faça isso se chegou a conclusão de que, no fundo, você não deseja isso ou deseja só para agradar ou passar uma imagem para os outros.

Como apontado acima, existem 2 barreiras principais que dificultam a obtenção de um relacionamento afetivo para indivíduos com fobia social: a preocupação excessiva com avaliação negativa e o déficit em habilidade sociais de paquera. Se você trabalhar bem estes 2 aspectos, provavelmente seu processo de conhecer um par romântico será muito facilitado. Para trabalhar o primeiro aspecto, existem basicamente duas estratégias:

  • Reestruturação de preocupações/cognições negativas relacionadas ao próprio desempenho em situações de paquera

  • Desfusão cognitiva

Estas estratégias podem funcionar melhor se aplicadas em conjunto. Ou seja, ao mesmo tempo em que você pode questionar a validade e utilidade de pensamentos negativos sobre si mesmo em situações de paquera, você pode simplesmente deixar estes pensamentos ocorrerem em sua mente sem "se fundir" à eles. Ou seja, veja estes pensamentos como se fosse um observador externo. Você não é o que estes pensamentos dizem que você é.

O segundo aspecto envolve o treino em habilidade sociais de paquera. Esse procedimento requer outros procedimentos, como a modelação, o ensaio comportamental e a exposição gradual. Você pode utilizar filmes, séries ou personagens de livros que exemplifiquem comportamentos interpessoais de paquera e ensaiá-los inicialmente sozinho ou com alguém de confiança.

Aos poucos, quando já estiver mais confiante em relação a estes comportamentos, você pode começar a se expor gradualmente a algumas situações sociais potencialmente reforçadoras e praticar o que ensaiou. Por exemplo, comece a fazer contato visual direto com alguém que lhe desperte interesse em um ponto de ônibus.

Lembrando que esse artigo não tem por objetivo esgotar todas as possibilidades de trabalhar estes comportamentos, de modo que a psicoterapia é o caminho mais indicado para isso. O que procurei trazer aqui foi apenas uma amostra inicial sobre o tema. Espero que isso possa abrir alternativas para que você busque o que realmente é importante para você nessa área e tenha ações consistentes com seus valores mais caros!



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